Reta final para o CNU: saiba como estudar e se preparar para as provas do concurso

Especialistas ajudam a entender os desafios da banca organizadora do exame

A prova da segunda edição do Concurso Nacional Unificado (CNU), que reúne em um exame o processo de seleção dos servidores públicos, conhecido como “Enem dos Concursos”, está se aproximando. No Estado do Rio de Janeiro, são ofertadas 315 oportunidades para órgãos com sede na capital fluminense. Os salários iniciais variam entre R$ 4 mil e R$ 16 mil.
Faltando menos de dois meses para o exame, O DIA conversou com especialistas para explicar o que fazer nesta reta final, como se preparar para a prova, além de entender os desafios da banca organizadora do concurso.
Ao todo, são 3.652 vagas em 32 órgãos e entidades, organizadas em nove blocos temáticos de áreas de atuação, para cargos de níveis médio, técnico e superior. São 3.144 são de nível superior e 508 de nível intermediário.
O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) prevê a convocação imediata dos aprovados em 2.480 vagas e outras 1.172 vagas são para preenchimento no curto prazo, após a homologação dos resultados.
Na Região Sudeste, o CNU 2 contempla 820 vagas, 22,4% do total do concurso. Serão 18 órgãos e entidades federais que receberão novos servidores com exercício no Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro ou São Paulo.
Segundo dados divulgados pelo MGI, o concurso recebeu mais de mais de 760 mil inscrições, em 4.951 municípios. Desses, mais de 250 mil foram inscritos em reservadas às cotas de pessoas negras, indígenas, quilombolas e com deficiência (PCD).
A região do Brasil com maior procura para o CNU foi a Sudeste, com 247.838, representando 32,54% do total de inscritos. Ele é seguido do Nordeste (229.436), Centro-Oeste (150.870), Norte (84.651) e Sul (48.733).
O Estado do Rio conta com o maior número de candidatos, 108.838, 14,2% do total das inscrições. As provas serão aplicadas em Belford Roxo, Cabo Frio, Campos dos Goytacazes, Duque de Caxias, Niterói, Nova Iguaçu, Petrópolis, Rio de Janeiro, São Gonçalo, São João de Meriti e Volta Redonda.
Veja os cinco estados com mais inscritos
– RJ: 108.838
– DF: 102.940
– SP: 77.682
– BA: 65.602
– MG: 51.142
Em busca da vaga dos sonhos
Hugo Barcelos, de 25 anos, é estagiário e cursa o 7° período de Administração. O seu foco no CNU deste ano é para cargo de Analista Técnico Administrativo. Ele conta que o concurso representa uma grande oportunidade de crescimento profissional e pessoal.
“Já estou na área de concursos há cerca de três anos. No início da minha trajetória, meus estudos eram voltados para carreiras da segurança pública, mas, ao ingressar na faculdade de Administração, percebi que me identifiquei com a área e decidi redirecionar meu foco para os concursos ligados à administração pública”, revelou.
O jovem aposta nas experiências de provas anteriores para sonhar com a aprovação e conquistar a tão sonhada vaga.
“Recentemente, participei do concurso do MPU, no qual tive um desempenho satisfatório tanto na prova objetiva quanto na discursiva. Esse resultado me deu ainda mais confiança para continuar nessa caminhada. Acredito que essa nova oportunidade no CNU pode representar uma virada de chave na minha vida”, afirmou.
Ele também revela que tem seguido uma rotina de estudos planeja, com apoio de professores de uma plataforma que oferece cursos para concursos e com mentoria.
“A plataforma da mentoria tem sido essencial para minha organização, já que consigo acessá-la de qualquer lugar. Com isso, aproveito ao máximo os pequenos intervalos do dia — como o tempo após a faculdade ou o estágio — para estudar e manter a constância”, apontou.
Conciliar faculdade, estágio e estudos para a prova segue sendo o seu maior desafio nesse processo:
“Atuo como estagiário, o que exige bastante equilíbrio. No entanto, com a orientação da mentoria, venho aprendendo a gerir melhor meu tempo e a estudar de forma mais eficiente. Sempre que possível, estudo ainda na faculdade ou no estágio, para evitar perder tempo ao chegar em casa cansado, momento em que meu rendimento costuma ser menor”, disse.
Patrícia Stamatios, de 36 anos, também vai tentar o CNU para a área administrativa. Casada e mãe de três filhos, ela conta que a sua maior dificuldade também é o tempo.
“Apesar de não trabalhar fora, dedico muito do meu tempo com os cuidados básicos da minha família. Tento aproveitar ao máximo meu tempo para estudar. Acordo às 5h para aproveitar mais o silêncio e estudo até tarde no período da noite. Minha casa é pequena e não tenho um espaço reservado para os estudos. Nesses horários as crianças estão dormindo”, observou.
“Aproveito também os horários que estou cuidando das coisas de casa para ouvir vídeosaulas e, nos horários em que paro de fato para estudar, faço resumos do que eu ouvi”, acrescentou.
A estudante de Direito também conta com a mentoria de uma plataforma de estudos e pensar em outras estratégias para dar uma guinada na preparação nessa reta final.
“A expectativa está alta. Penso, inclusive, em trancar o semestre do curso de Direito, onde estudo como bolsista, para me dedicar totalmente ao CNU”, afirmou.
Especialistas explicam como se preparar
Diferente da primeira edição, o CNU 2025 terá duas etapas. A prova objetiva (múltipla escolha) será aplicada no dia 5 de outubro e a prova discursiva será realizada apenas pelos aprovados na primeira etapa, no dia 7 de dezembro, em 218 municípios de todo o País.
Os cargos são agrupados em nove blocos temáticos organizados por áreas de atuação semelhantes. O modelo – já adotado na edição anterior do concurso – permite que os candidatos concorram a diferentes cargos dentro do mesmo bloco, com uma única inscrição.
Serão convocados para a segunda fase os candidatos classificados em até nove vezes o número de vagas de cada cargo, tanto para ampla concorrência quanto para vagas reservadas.
A Fundação Getúlio Vargas (FGV) é a banca examinadora responsável pela organização do concurso e tem a fama de ser uma das “mais difíceis” em processos seletivos. Ela é conhecida por provas longas e interpretativas, que exigem muito mais do que simples memorização.
Segundo o professor Bruno Bezerra, do Estratégia Concursos, a FGV é uma banca exigente, com questões de alto grau de dificuldade, inclusive em concursos de nível médio, e somente decorar o conteúdo não é suficiente para uma prova.
“A banca costuma elaborar questões que exigem compreensão real do conteúdo, aplicando-o a contextos práticos, situações hipotéticas, gráficos, tabelas e cenários reais. O candidato precisa saber interpretar, analisar e raciocinar com base no conteúdo estudado. Por outro lado, alguns pontos precisam, sim, ser memorizados, como prazos, fórmulas, detalhes legais e jurisprudência”, explicou.
O especialista afirma que a FGV costuma colocar “pegadinhas e cascas de banana” nas provas. Por isso, é fundamental que o aluno resolva muitas questões anteriores da banca, para reconhecer esses padrões e aprender a evitá-los.
“Uma dica importante é: refaça as questões que errou, especialmente aquelas com pegadinhas, porque é comum cair no mesmo erro mais de uma vez. Guardar essas questões separadamente para revisão ajuda a reforçar o aprendizado e evitar repetir os deslizes na hora da prova”, aconselha.
Para Jean Aquino, professor de Língua Portuguesa para concursos, nenhuma banca tem um perfil de
elaboração como a FGV. Ele também concorda que a melhor estratégia é focar na resolução de questões.
“É uma banca que exige, acima de tudo, conhecimento de mundo. A melhor estratégia é fazer muitas questões e confiar sua preparação a professores que de fato conheçam a FGV. Imprescindível dar atenção a
aspectos de coesão e coerência, que geram muitas questões”, alerta.
Em resumo, para se sair bem na prova da FGV, o candidato precisa:
– Entender profundamente os conteúdos, e não apenas memorizá-los;
– Estar atento a alterações legislativas e novas leis, pois a banca gosta de explorar temas atualizados;
– Acompanhar jurisprudência dos tribunais superiores, especialmente do STF, que costuma ser cobrada com frequência;
– Treinar com simulados não apenas para medir conhecimento, mas também para desenvolver uma estratégia de prova, principalmente em relação ao tempo.
“A FGV faz provas longas e densas, com um tempo bastante limitado para resolver todas as questões. Um exemplo claro está nas provas dos blocos de nível intermediário (blocos 8 e 9), em que o candidato terá 3 horas e 30 minutos para resolver 68 questões. Isso significa que ele terá menos de 3 minutos por questão, considerando que é necessário reservar ao menos 10 a 15 minutos para preencher o cartão-resposta com atenção”, destacou Bruno Bezerra, do Estratégia.
O professor ainda ressalta que, sem um bom treino prévio e uma estratégia bem definida para a ordem e o tempo de resolução, o candidato pode acabar “desperdiçando minutos preciosos”, comprometendo seu desempenho.
“Por isso, testar o tempo de resolução com simulados e aprender a administrar a prova com inteligência é fundamental”, acrescenta.
Ainda é possível começar a estudar?
Embora o prazo pareça curto, especialistas afirmam que ainda é possível iniciar a preparação para as provas do CNU.
De acordo com Letícia Bastos, professora de Língua Portuguesa do Gran Concursos, quem começar agora deve priorizar as disciplinas que mais caem no bloco escolhido e que exigem mais prática, como os conteúdos específicos de cada cargo.
“O destaque virá não de estudar tudo de forma superficial, mas de aprofundar o que realmente tem maior impacto na prova, aliado à constância no estudo. É importante ver as matérias que serão mais cobradas e tentar garantir uma maior pontuação com elas”, aponta.
Bruno Bezerra, do Estratégia Concursos, revela que ainda há esperanças. Ele lembra que, na primeira edição do CNU, houve candidatos aprovados mesmo começando a preparação após o edital.
“O conteúdo do concurso é diferente dos concursos mais tradicionais, com muitas matérias novas, o que nivela os candidatos, já que até mesmo quem já estuda para outros certames se depara com conteúdos inéditos”, destaca.
Ele ainda indica:
– Adotar um estudo estratégico com materiais direcionados para o CNU;
– Resolver muitas questões anteriores da FGV;
– Fazer revisões regulares para consolidar o conteúdo;
– Treinar simulados para ganhar ritmo de prova;
– Direcionar mais tempo para os eixos temáticos com maior peso em seu cargo de interesse, já que, nos cargos de nível superior, um único eixo pode representar até 50% da pontuação das questões específicas (60 de 120 pontos).
Segundo os especialistas, mesmo que o candidato ainda não tenha finalizado o estudo da teoria, é essencial já começar as revisões.
“O ideal é estudar o máximo possível, desde que seja sustentável até a prova. Quem não puder estudar todos os dias por plantões ou trabalho pode compensar em outros períodos, como fins de semana ou folgas. Cada hora de estudo pode fazer a diferença”, disse.
Já Letícia Bastos, professora do Gran, destaca que, nesta fase, a organização é determinante:
“É sim o momento de incluir revisões frequentes, especialmente usando resumos, mapas mentais e questões já resolvidas. Estudar todos os dias é o ideal, mas isso não significa muitas horas seguidas; o importante é manter regularidade, mesmo que com blocos curtos de estudo”.
Para os candidatos que trabalham e possuem dificuldades de conciliar o dia a dia com os estudos, os especialistas recomendam o estabelecimento de “metas diárias realistas”. Além de aproveitar janelas de tempo como, intervalos de almoço, deslocamentos, os períodos da noite podem ser usados para assistir a videoaulas, ouvir podcasts ou revisar resumos. O mais importante é manter um planejamento realista, adaptado à rotina, para não gerar frustração.
Como se preparar para a redação e questões discursivas
A prova discursiva para nível superior envolverá duas questões sobre conhecimentos específicos do bloco temático escolhido, com foco em domínio técnico e uso da língua portuguesa. Os candidatos de nível intermediário farão uma redação.
A prova escrita está marcada para o dia 7 de dezembro, dois meses após a objetiva. Por isso, a orientação dos especialistas neste momento é se preparar desde já.
“Com muitos anos de preparação de alunos, posso assegurar que uma das chaves do bom desempenho é a antecipação. Porque quanto antes se inicia a preparação, mais conhecimentos se adquirem e menos erros se cometem. É preciso tempo para reconhecer as estratégias maldosas de uma banca tão complexa”, alerta o professor de Língua Portuguesa para concursos Jean Aquino.
Para Letícia Bastos, professora do Gran Concursos, o treino também deve começar agora.
“Mesmo que a discursiva seja na segunda etapa, a habilidade de escrever bem é construída com prática contínua. Esperar a convocação pode ser arriscado, pois o tempo para aprimorar será muito curto. O candidato deve praticar com temas relacionados ao seu bloco, simulando as condições da prova: tempo limitado e número máximo de linhas. Depois, é fundamental revisar o texto, buscando erros gramaticais, problemas de coesão ou de clareza”, destaca.
A professora também aponta que a melhor forma de se preparar para a redação e as questões discursivas é a leitura.
“Alternar estudo teórico de estrutura textual, prática de escrita e correção. Além disso, ler bons textos, acompanhar atualidades e ampliar repertório sociocultural são passos essenciais para se ter conteúdo na hora da prova”, diz.
Além disso, Jean Aquino afirma que é importante ficar atento às atualidades e fazer uma boa curadoria das fontes das quais se acessa as informações.
“A leitura de fontes oficiais de informação como jornais vai manter o aluno antenado quanto a questões que
costumam gerar temas de redação. Fugir absolutamente de fontes de informações advindas de redes sociais ou grupos de Whatsapp, que não têm confiabilidade e podem gerar dados falsos que comprometerão a nota. E o mais importante: praticar e ter várias redações corrigidas antes do concurso”, indicou.
Com o “boom” da inteligência artificial (IA) e cada vez mais alunos usando a ferramenta na rotina de estudos, os professores chamam a atenção para o cuidado necessário na hora que utilizar o sistema e não confiar cegamente no instrumento.
“Desde que de forma crítica, não tem problema. A IA pode ajudar a sugerir temas, corrigir textos, indicar conectivos e até gerar simulados de prova. No entanto, é essencial que o candidato revise o material gerado, garantindo que esteja correto e alinhado ao edital”, adverte Letícia Bastos.
Materiais para estudo gratuito
Hoje em dia, há uma grande variedade de cursos preparatórios para concursos, mas muitos candidatos não têm condições financeiras para pagar as aulas. Por isso, os professores recomendam aproveitar os conteúdos gratuitos disponíveis na internet.
“Há apostilas, videoaulas e questões comentadas disponíveis gratuitamente na internet, inclusive no YouTube. Além disso, plataformas como o Gran Cursos Online oferecem eventos e lives gratuitas voltadas ao CNU, o que é uma excelente forma de se preparar sem custo inicial”, disse a professora Letícia Bastos.
Bruno Bezerra indica, como outra estratégia essencial, a resolução de questões anteriores da banca FGV, disponíveis em plataformas de bancos de provas, ou diretamente no site da fundação.
“Aulas gratuitas no YouTube, como as do Estratégia Concursos, estão disponíveis diariamente. Provas anteriores disponíveis gratuitamente nos sites das bancas, incluindo o site da FGV, além de alguns professores e instituições oferecem também materiais e PDFs gratuitos, principalmente nas redes sociais”, aponta.
Blocos temáticos
– Bloco 1: Seguridade Social (Saúde, Assistência Social e Previdência Social)
– Bloco 2: Cultura e Educação
– Bloco 3: Ciências, Dados e Tecnologia
– Bloco 4: Engenharias e Arquitetura
– Bloco 5: Administração
– Bloco 6: Desenvolvimento Socioeconômico
– Bloco 7: Justiça e Defesa
– Bloco 8: Intermediário – Saúde
– Bloco 9: Intermediário – Regulação
Veja número de inscritos por bloco
O bloco temático que registrou o maior número de inscrições foi o Bloco 9 – Regulação, com 177.598 inscritos. Ele é seguido pelo Bloco 5 – Administração, com 173.829 inscrições e pelo Bloco 1 – Seguridade Social: Saúde e Assistência, com 127.970 participantes.
Em seguida, estão: estão: Bloco 2 – Cultura e Educação (69.507 inscritos); Bloco 7 – Justiça e Defesa (54.029 inscritos); Bloco 6 – Desenvolvimento Socioeconômico (44.441 inscritos); Bloco 4 – Engenharia e Arquitetura (41.245 inscritos); Bloco 8 – Saúde, com 37.075 inscritos e, por fim, o bloco 3 – Ciências, Dados e Tecnologia, com registro de 35.834 inscrições.
Cronograma

– Prova objetiva: 5 de outubro de 2025;
– Prova discursiva (2ª fase): 7 de dezembro de 2025;
– Resultado final: fevereiro de 2026.

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