Polícia apura se novo ‘escritório do crime’ chefiado por PM ‘Sem Alma’ está ligado a ao menos 5 execuções
Ao menos cinco assassinatos podem estar ligados a um novo “escritório do crime” que atua no Grande Rio, segundo investigação da Polícia Civil.
À frente deste grupo de matadores de aluguel está um policial militar da ativa, lotado no Batalhão de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Pela crueldade com que age, o PM Rafael do Nascimento Dutra ganhou um apelido: Sem Alma.
A Polícia Civil foi até a casa do PM na manhã da ultima terça-feira (18), mas pelas imagens parece que ele deixou o lugar às pressas: até o cachorro ficou para trás na fuga. Sem Alma está de licença por supostos motivos de saúde – e agora, foragido.
Se não se apresentar, além de responder às acusações será considerado desertor na PM.
A investigação que revelou o PM como chefe da quadrilha de matadores começou a partir do assassinato de um miliciano em novembro do ano passado na Favela do Guarda.
O executado, Marco Antônio Figueiredo Martins, o Marquinho Catiri, atuava em uma milicia em bairros das zonas Oeste e Norte. Ele foi morto ao sair de uma academia de musculação da qual era o dono e teria sido montada para o seu uso exclusivo.
No ataque também foi morto um comparsa dele, Alexsandro José da Silva, o Sandrinho.
Drone e câmera para estudar rotina
A polícia descobriu que, para chegar ao miliciano, que andava sempre com seguranças, o PM planejou a morte durante um ano. Usou câmeras e até um drone para saber a rotina dele.
Os investigadores dizem que uma perícia feita nos fuzis usados no assassinato revelou que as armas também utilizadas em pelo menos outros dois crimes.
Tiago estava em um BMW vermelho blindado, mas os criminosos conseguiram atingi-lo mesmo assim ao dar 80 tiros contra o carro.
A polícia também investiga se o bando de Sem Alma é o responsável por outras duas mortes em 2023.
Em abril, Fernando Marcos Ferreira Ribeiro, de 41 anos, foi assassinado a tiros na Tijuca. A ação durou menos de 10 segundos (veja no vídeo abaixo). Na época, a Polícia Militar afirmou que Fernando tinha ligação com a contravenção.
Câmera de segurança flagrou momento em que homem foi morto a tiros na Tijuca
A outra execução foi no mês passado. O ex-chefe de segurança de um dos presídios do Complexo Penitenciário de Bangu, o inspetor penal Bruno Kilier da Conceição Fernandes, de 35 anos, foi morto no Recreio dos Bandeirantes.
A ação é parecida com os outros crimes. Os bandidos chegam de carro, encapuzados e atiram de fuzil (veja no vídeo abaixo).
Na operação que tentou prender Sem Alma nesta terça, a Polícia Civil também cumpriu 9 mandados de busca – três eram pra casas de policiais militares.
Um dele foi preso em flagrante porque estava com munição e carregadores de fuzil. É o PM Edson Costa, do 16º Batalhão, em Olaria. Policiais ainda apreenderam um Corolla e um Compass blindados.
A investigação aponta que os PMs são ligados à máfia do cigarro e da contravenção.
Dois comparsas de Sem Alma, suspeito de integrarem a quadrilha de matadores de aluguel, já tinham sido presos: José Ricardo Gomes Simões, em março deste ano; e George Garcia de Souza Alcovias, em dezembro do ano passado, quando tentava fugir para o Paraguai.
A polícia quer saber, agora, quem encomendou os assassinatos a esse novo escritório do crime.