Dia Mundial da Corrida (04 de junho) destaca os benefícios do esporte para o corpo e a mente

Especialista ressalta a prática como uma atividade acessível e eficiente para o emagrecimento

A primeira quarta-feira de junho é dedicada ao Dia Mundial da Corrida, conhecido globalmente como Global Running Day. A data surgiu nos Estados Unidos e rapidamente ganhou força em diversos países com o mesmo objetivo: incentivar a prática da corrida como atividade física e promover o bem-estar.

Embora muitos prefiram correr nas esteiras das academias, a corrida ao ar livre tem o diferencial de proporcionar contato com a natureza e contemplação da paisagem, além de todos os benefícios à saúde. E há um ponto extra: correr ajuda a emagrecer, sem custos e sem a necessidade de recorrer ao uso indiscriminado de medicamentos, como destaca o professor da Estácio, Paulo Estevão Franco Alvarenga, especialista em Fisiologia do Exercício Físico e Treinamento Esportivo de esportes de endurance (corrida e ciclismo). Ele ressalta que a corrida é um dos exercícios mais eficazes para perda de peso, pois ativa continuamente mais de um sexto de toda a musculatura corporal.

“Eu costumo dizer que a corrida ajuda a emagrecer antes, durante e depois do treino. Antes, porque quem corre geralmente cuida melhor da alimentação, optando por refeições leves e energéticas. Durante o treino, especialmente em intensidades mais altas, o corpo entra na zona de FATMAX, onde ocorre a maior taxa de queima de gordura devido ao aumento no consumo de oxigênio. E após o treino, a corrida prolonga o estado de EPOC (excesso de consumo de oxigênio pós-exercício), mantendo o metabolismo acelerado e favorecendo o emagrecimento”, explica.

O professor do curso de Educação Física da Estácio de Resende reforça que a corrida, para ter efeito na perda de peso, deve estar associada a uma alimentação com déficit calórico — ou seja, ingerir menos calorias do que se gasta, sem necessidade de restrição severa de alimentos.

Outro ponto importante é que a corrida é considerada um esporte democrático, praticável por pessoas de diversas idades e perfis. No entanto, por ser uma atividade de alto impacto nas articulações, exige preparação adequada do corpo para evitar lesões.

“Por isso, nós, treinadores de corrida, sempre recomendamos o fortalecimento muscular com pesos, principalmente para iniciantes sedentários ou com sobrepeso. A corrida só não é indicada para quem tem restrições clínicas a atividades de impacto, como em casos de problemas graves na coluna ou nas articulações”, orienta.

O especialista também destaca a importância de iniciar qualquer programa de corrida com acompanhamento profissional, mesmo que um check-up médico nem sempre esteja ao alcance de todos.

“O ideal seria que todos passassem por avaliação médica antes de começar a correr. Como isso nem sempre é possível, recomenda-se procurar um profissional de Educação Física especializado em corrida. Segundo as diretrizes do Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM), o profissional deve aplicar um questionário de prontidão física antes de iniciar os treinos. Se houver qualquer sinal de alerta, ele pode encaminhar o aluno a um médico”, completa.

Após esta etapa, o treinador poderá elaborar um plano de treino adequado ao perfil e aos objetivos da pessoa.

“Correr sem orientação é perigoso. Muitos se empolgam e aumentam rapidamente a distância e a intensidade dos treinos, o que pode resultar em lesões. Existe um processo seguro e fundamentado na ciência, como a recomendação de não aumentar o volume de treino semanal em mais de 10%. Mesmo assim, há quem tente passar de 5 km para uma meia maratona (21 km) em três meses. Isso não é saudável”, adverte Paulo Estêvão.

Cafeína como aliada da performance

Para quem busca um pré-treino eficaz, o professor recomenda a cafeína, substância comprovadamente eficaz na melhora do desempenho de corredores e ciclistas. Seu principal efeito é a redução da percepção de esforço, o que permite treinos mais longos e intensos.

“A cafeína atua no sistema nervoso central, inibindo a adenosina e mantendo o corpo em estado de alerta. A dose recomendada para melhora de performance é de 3 a 6 mg por quilo de peso corporal, administrada entre 30 e 60 minutos antes da atividade. Mas é preciso cuidado: essas doses são altas e devem ser evitadas à noite para não comprometer o sono”, orienta o especialista.

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