Advogada atropelada por ex-jogador do Botafogo é enterrada no Pechincha
Ariane de Carvalho da Silva, de 41 anos, foi atingida logo após deixar o filho em uma creche; Luan Plácido responde ao processo em liberdade
A advogada Ariane de Carvalho da Silva, de 41 anos, que morreu após depois de ser atropelada por um ex-jogador do Botafogo, foi enterrada, na tarde deste domingo (10), no Cemitério do Pechincha, Zona Oeste. Luan Plácido Moreira da Costa, 21, responde ao processo em liberdade após pagamento de fiança.
O atropelamento aconteceu na manhã da última sexta-feira (8) na Estrada dos Bandeirantes, em Vargem Grande, na Zona Oeste. Segundo familiares, a vítima havia acabado de deixar o filho na escola quando foi brutalmente atingida pelo veículo do jovem. Ela chegou a ser socorrida e levada para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, também na Zona Oeste, mas não resistiu.
Ao DIA, Cristiane Carvalho, irmã de Ariane, contou que a família está destruída com a perda. “Minha irmã era uma pessoa de coração enorme, que amava cuidar da família e de todos. Era uma advogada que lutou para realizar os seus sonhos. Deixou o filho de 3 anos, que ainda mamava no peito e um casal de netos. O que vamos falar para esses três bebês? Minha mãe, uma senhora de 70 anos, está destruída. O cara pagou R$ 3 mil e saiu pela porta da frente. Quero justiça e que ele seja preso”, afirmou.
A advogada Daiane Cardoso, amiga de Ariane, disse que ela era uma mulher batalhadora e que sempre lutou muito por justiça. As mulheres se conheceram quando cursaram Direito juntas, em 2014.
“É um sentimento de revolta, porque a Ariane era uma mulher que lutou muito por justiça. Quando estava conquistando os frutos da advocacia, ela morre de uma forma tão trágica. Ela era uma pessoa maravilhosa, extremamente alegre, que passava uma energia positiva. Uma mulher guerreira, batalhadora, sonhadora, que sempre estava disposta a ajudar todos ao seu redor. Uma mulher que lutava por seus ideais e seus sonhos”, destacou.
Amigos também lamentaram a perda nas redes sociais. “Uma advogada e ser humano incrível! Uma mulher do bem, sempre de bem com a vida! Ainda me lembro quando a conheci, uma audiência trabalhista na qual ela levou seu bebê ainda recém chegado e o amamentou em plena audiência! Viramos colegas e até cheguei recentemente a lhe propor uma parceria. Guerreira que, com muito custo, deixou de ser secretária e se tornou uma excelente advogada! Que Deus em sua infinita misericórdia a guarde e conforte o da família! E que a justiça seja feita!”, escreveu uma internauta.
A subseção da Barra da Tijuca da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) prestou solidariedade à família da vítima. “Manifestamos nossas condolências aos familiares e amigos, rogando a Deus que traga o conforto necessário a todos neste momento de luto”, diz o texto.
Ariane deixou dois filhos e dois netos. Ela era especializada em Direito do Trabalho e Previdenciário e, nas redes sociais, compartilhava diversos momentos com seu filho mais novo.
Liberado após pagar fiança
Luan Plácido, que atuou na base do Botafogo em 2023, foi autuado em flagrante pelos crimes de desacato e dano ao patrimônio público depois de agredir e ofender policiais militares, além de chutar uma viatura.
No dia do atropelamento, agentes do 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes) estiveram no local e detiveram o motorista para ele prestar depoimento.
De acordo com a Polícia Civil, durante o caminho para a 42ª DP (Recreio dos Bandeirante), Luan apresentou um comportamento agressivo, proferiu ofensas e xingamentos aos agentes e chutou o interior da viatura da PM, que danificou o vidro interno do veículo, tendo que ser contido pelos policiais.
Segundo a corporação, o jovem, já na delegacia, tentou novamente agredir os agentes, dando, inclusive, uma cabeçada em um policial militar. Diante disso, houve a autuação em flagrante pelos crimes.
O exame de corpo de delito de Luan, realizado no Instituto Médico Legal (IML), não acusou uso de álcool ou substâncias ilícitas. As autoridades o soltaram após pagamento de fiança.
Advogado da família de Ariane, Jorge Delfino, explicou que, segundo as informações as quais a defesa teve acesso, Luan avançou o sinal vermelho e estava dirigindo na contramão no momento da colisão. “Quando você pega o veículo, trafega com ele em alta velocidade e avança o sinal de trânsito, você está assumindo o risco”, afirmou.
Além da advogada, outras três pessoas ficaram feridas. Wendell de Almeida, de 28 anos, e José Cassiano, de 22, receberam atendimento no Lourenço Jorge e tiveram alta. Outra mulher precisou ser transferida para o Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, na Zona Sul, devido à gravidade dos ferimentos.