Uma das pessoas mais importantes por trás da trajetória do mesatenista brasileiro conversou com o Olympics.com sobre o bom momento do filho.
O tênis de mesa cria ambiente único de tensão e expectativa, que exigem precisão. Logo, concentração. Consequentemente, ouve-se o silêncio em toda a parte. O bate-rebate da bola de um lado para o outro é o único ruído e que faz o público prender a respiração.
Se é difícil um torcedor comum conter as emoções durante um jogo, o que dizer de uma mãe que vê o filho jogar e em alto nível, em meio aos melhores do mundo?
É assim com Elisa Borges, mãe de Hugo Calderano (BRA), que o acompanha quando pode e conseguiu estar em Foz do Iguaçu para vê-lo levantar a taça do título em simples do WTT Star Contender, no início de agosto.
Em meio às comemorações da conquista na cidade paranaense, o Olympics.com conversou com a Elisa para conhecer o ponto de vista da mãe, torcedora e gestora da carreira de Hugo em relação à temporada 2025, em ótimo momento do filho.
Elisa e a importância de Hugo atuar diante da torcida: ‘É muito acolhedor’
Bastante ligada à prática esportiva e formada em Educação Física, Elisa transmitiu para Hugo, ainda pequeno, toda a sua paixão pelos esportes e os seus valores. Ao vê-lo se destacar na modalidade, enxergou sua evolução com naturalidade e viu o filho sair de casa aos 14 anos de idade: “A gente sempre quer vê-lo feliz”, reagiu ao se lembrar de quando o tênis de mesa passou a ser sério para Hugo.
Já se vão 15 anos desde então. Em meio ao seu vai e vem, quando o calendário de competições e a distância permitem, a família se reúne. No WTT Contender de Buenos Aires e Star Contender de Foz, o reencontro com o filho e o de Hugo com a sua torcida que, na opinião de Elisa, fez muito bem ao mesatenista.
“Essas duas semanas, a primeira em Buenos Aires e agora aqui em Foz, foram semanas de muito acolhimento para ele. Ele foi muito bem recebido.”
A mãe não esconde que os títulos durante a fase sul-americana do circuito internacional sim motivam, mas reforçou a atmosfera que o envolveu: “Independente de qualquer resultado, dois títulos seguidos são uma alegria enorme. Mas essa energia que ele recebeu nessas duas semanas, tanto em Buenos Aires e especialmente aqui no Brasil, eu tenho certeza de que vão dar um gás ainda maior, motivá-lo ainda mais para continuar.”
Como a família acompanha os jogos de Hugo
Ao ser perguntada sobre como é o Hugo antes de cada jogo, Elisa admite não ter contato e sequer escreve uma mensagem. Quando – raramente – acontece, é em forma de emoji. “Ele sabe o que tem que fazer para se preparar. O nosso papel é não atrapalhar. Se a gente não atrapalha, já é suficiente” comentou Elisa.
Quando a pequenina esfera branca começa a voar sobre a mesa, ela não esconde sofrer bastante: “Eu já deveria estar acostumada, mas na verdade é que a gente não se acostuma a tanta emoção.”
Superadas as emoções após a partida, mesmo à distância a família comemora unida: “A gente sempre manda uma foto da gente comemorando onde a gente estiver.”
A recuperação de Hugo após Paris 2024
Foram muitas fotos que a família teve que enviar para Hugo em 2025. Afinal, neste ano já são 27 vitórias em 28 jogos internacionais em simples e quatro títulos em cinco finais consecutivas.
Um cenário que se configura pouco mais de um ano após o desapontamento por ficar fora do pódio em Paris 2024. Hugo esteve muito próximo da medalha naqueles Jogos. “A semifinal Olímpica foi um resultado incrível”, analisou Elisa. “Mas ele esperava mais. E ele sabia que podia sair de lá com uma medalha.”
É preciso tempo para se recuperar de um baque.
“É claro que ele levou um tempinho pra se recuperar, pra botar a cabeça no lugar e tentar assimilar”, continuou a mãe. “Ele sabe do que ele é capaz e ele sabe o que quer, com a sabedoria de entender que precisa sentir o que está sentindo naquele momento. Para dar tempo ao tempo, indo dia a dia.”
E nada melhor que o tempo para mostrar as respostas, que vieram em forma de temporada histórica, a melhor da carreira.
Simbolismo da Copa do Mundo e a importância do Mundial
Dos títulos de Hugo em 2025, Elisa relembra com carinho o da Copa do Mundo, em abril: “Foi muito simbólico pela maneira como foi. Ele ganhou do terceiro, do segundo e do primeiro do ranking!”
Ademais, o simbolismo ganhou mais sentido com o título obtido em um domingo de Páscoa: “Eu acho que foi quase que uma ressurreição depois dos meses que ele passou”, disse Elisa aos risos.
Mas para ela o momento mais especial de 2025 não foi um primeiro lugar e sim o vice-campeonato no Mundial realizado em maio, no Catar.
“Eu pessoalmente vibrei mais ainda, se é que é possível, com a medalha no Mundial. Não sei o porquê…, mas talvez por ser o Mundial”, explicou.
Ao mesmo tempo, nada mais surpreende Elisa do que o filho é capaz. Ela mesma assegura essa condição: “Esses dois títulos [WTT Contender Buenos Aires e Star Contender em Foz], o da Copa do Mundo e a medalha no Mundial coroaram a carreira dele. Mas é um começo, ainda tem muita ‘lenha pra queimar’.”
A temporada 2025 de Hugo já é de sucesso e o faz encarar com tranquilidade o WTT Europe Smash em Malmö (Suécia), seu próximo compromisso entre 14 e 24 de agosto. Na Escandinávia, buscará inédito título.
Elisa Borges: ‘Não tem ninguém que queira mais do que ele’
A sabedoria popular bem resume o papel dos pais na criação de um filho: que seja para o mundo e independente. Assim já era Hugo aos 14 anos, em uma história relembrada pela mãe, que leva como lição de vida. Ao lhe prometer um presente em caso de título em torneio, o filho respondeu: “Nada do que você for me dar vai ser melhor do que a minha medalha.”
“Não tem nada que alguém possa dar a ele mais do que ele quer. Ele sabe o que ele quer, então deixa ele correr atrás”, encerrou Elisa.
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